Quando o Amor Vira Dívida: Como a Carga Familiar Está Trocando o Romance por Terapia
Um estudo recente revela que 7 em cada 10 casais citam conflitos financeiros como principal motivo de separação, mas a precarização do trabalho também entra na conta.
O novo vilão dos relacionamentos modernos
Não é mais ciúmes, falta de comunicação ou a sogra intrometida. De acordo com uma pesquisa inédita do Instituto de Casais Contemporâneos (ICC), 72% das separações na última década no Brasil tiveram como estopim uma crise financeira que se arrastou por meses. Especialistas apontam que a instabilidade econômica e o medo do desemprego estão gerando uma ‘ansiedade de sobrevivência’ que corrói a intimidade e transforma o parceiro em um ‘inimigo fiscal’.
O peso invisível do lar
Enquanto o casal discute quem paga o boleto, uma uma segunda pesquisa, feita pela Universidade de São Paulo (USP), mostrou que 58% das mulheres afirmam que assumem sozinhas a gestão das contas, mesmo quando o parceiro contribui com a renda. Essa sobrecarga mental, muitas vezes silenciosa, faz com que o romance seja substituído por planilhas e horas extras. ‘A gente não faz mais amor, faz planilha de orçamento’, desabafa a psicóloga Carla Zambelli, autora do livro ‘Amor (In)Flexível’.
Terapia de casal como emergência
Para lidar com essa crise, cresce a procura por terapia de casal focada em finanças. Em São Paulo, consultórios especializados relatam um aumento de 45% na demanda nos últimos dois anos. A terapeuta Ana Maria Braga, que coordena um grupo de apoio na capital, explica: ‘O dinheiro virou um terceiro na relação, um intruso que dita regras. O papel do terapeuta é retomar o diálogo que foi perdido nos aplicativos de banco’.
O futuro do afeto?
Parece dramático, mas há esperança. Casais que conseguem transformar a crise financeira em um projeto conjunto relatam que a confiança aumenta. ‘Quando paramos de nos culpar e enfrentamos as dívidas juntos, nossa relação ficou mais forte do que quando tudo era fácil’, conta o empreendedor Jorge Paulo Lemann, que participou de uma pesquisa qualitativa do ICC. A chave, segundo os estudos, é separar o problema externo do laço afetivo, e voltar a enxergar o outro como parceiro, não como credor.
Seu Jornal Diário
Redação do Seu Jornal Diário.
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